Editorial: A Fazenda deixou de ser entretenimento há muito tempo

Guilherme Beraldo

26/09/2021 - updated: 29 set 2021 às 11:57

A Fazenda- Editorial Reprodução Internet

O Aqui Tem Fofoca vinha fazendo uma cobertura tímida da A Fazenda.  Neste editorial, vou expor problemas pessoais, alguns já de ciência dos meus seguidores.

Assistir a programas de confinamentos acaba me atingindo em cheio. Sofro de ansiedade e evito ao máximo as crises.

No último BBB, assisti e fiz o meu trabalho até a parte em que a cantora Karol Konká foi eliminada. Dali em diante, apenas relatei algumas eliminações e uma postagem sobre a final que consagrou a vitória de Juliette

Com o programa da Record TV, foi o mesmo. Noticiei a saída de Marcos Mion e a contratação da excelente Adriane Galisteu para o posto de apresentadora.

Da estreia pra cá, assisti muito pouco. Ficava por dentro através de portais de outros portais de notícias. Não acompanhava o programa à noite. Geralmente estou me desligando por volta das 23h e não tenho saco e nem paciência para as manobras feitas pela produção visando audiência.

A Fazenda deixou de ser entretenimento e isso não é de hoje. Ao escalar pessoas polêmicas, como Marcos Harter, MC Biel, MC Gui e Nego do Borel, a emissora e sua direção jogam sujo e acabam baixando o nível de uma forma deprimente.

O programa abriu uma vitrine de “cancelados”, que fizeram muita merda aqui fora e acabam usando a oportunidade para tentar limpar sua imagem. Tudo é extremamente combinado para que eles tenham um comportamento diferente das câmeras: ensaiam choros e fazem um teatro de quinta categoria. 

E vou além: perfis de Instagram e jornalistas consagrados são pagos para bajular e levantar participantes durante o pré-confinamento, no jogo e fora dele. O dinheiro fala mais alto.

Outros entram apenas com um time que alimenta suas redes sociais e pedem os famosos “multirões” de votos quando são jogados à preferência do público.

Da mesma forma acontece para derrubar um participante. Usam as redes sociais, sites que vendem a mãe em troca de fama, dinheiro e posicionamento nas pesquisas de internet.

Tudo para conseguirem um reconhecimento barato, pequeno, repulsivo e jocoso. Este é o caminho de boa parte do “entretenimento, fofocas e televisão”.

Jornalismo vendido e mascarado na forma de “assessoria”. Nada contra todos os princípios da profissão.

Aliás, regras morais que baseiam no pilar básico do que é ensinado e pouco praticado.

A Record é culpada de tudo isso, porque se iguala, torna-se pequena e desprezível do grande público ao colocar pessoas com históricos judiciais. Muito deles ainda seguindo o seu curso de investigação. Tudo visando audiência.

Após o episódio envolvendo a Dayane Mello e Nego do Borel, o Aqui Tem Fofoca depois de uma conversa com profissionais da área, pediram para rever e noticiar apenas o básico. 

Respeito demais a carreira e a trajetória de Adriane Galisteu e também sei separar bem os programas da emissora, que ainda são assistíeis. Confesso: são poucos.

Como jornalista não posso compactuar com um reality show de baixo nível e que, na verdade, não acrescenta em nada na minha vida. E talvez na sua também.

A edição deste sábado (25) mostrou a expulsão de Nego do Borel. A narrativa do caso foi distorcida.

Incrédulo diante da TV, demorei a assimilar o que a emissora estava colocando no ar. Um show de horror. Violência sexual não é entretenimento. É CRIME!

A Record se auto denomina que é uma emissora “da família”: condena aborto, mas permite que um programa onde, supostamente, houve uma violência sexual gere engajamento, audiência e repercussão. 

Se não fosse a pressão das redes sociais e de seus anunciantes, Nego não teria sido expulso.

Aqui você lerá fofocas, bastidores e notícias em geral. Pautas sobre crimes, vamos deixar para outros sites que usam e abusam dos títulos sensacionalistas, que são pagos por assessorias de imprensa para “dar uma notinha” do seu contratado, e para os programas que exploram a desgraça alheia na faixa vespertina. 

O Aqui Tem Fofoca é um site independente. Não estamos hospedados em nenhum portal, remamos contra a maré e assim continuaremos fazendo o nosso trabalho diariamente, sem ser comprado por NINGUÉM.

Você que sofre qualquer abuso ou é vítima de violência doméstica de namorado, ex-marido ou companheiro procure ajuda. Não se cale. Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou ligue para 190, o telefone da polícia. 

Guilherme Beraldo

Guilherme Beraldo é jornalista , MTB: 90925, editor chefe, SEO e criador do site 'Aqui Tem Fofoca'. Crítico de TV, participou dos programas 'A Tarde É Sua', 'Mulheres', 'Versátil e Atual' e 'Conexão'. O Aqui tem Fofoca ganhou uma nova roupagem e um novo logo, acrescentamos o ''News''. A notícia não para.