Uma ação movida pelo executivo americano Albert Lewitinn ameaça tirar do ar o antigo programa de Márcia Goldschmidt e removê-lo do catálogo do SBT. Ele quer impedir novas exibições na TV aberta, no +SBT e nas redes sociais da emissora, além de pedir indenização de no mínimo R$ 100 mil por danos morais e materiais.
A disputa gira em torno de quem detém o formato e até onde vai o contrato assinado nos anos 1990. Lewitinn afirma ter o registro autoral da atração nos Estados Unidos e sustenta que qualquer reexibição dependeria de autorização sua ou de um novo acordo.
Segundo ele, o SBT foi notificado três vezes antes da ida à Justiça. A emissora teria respondido que o contrato de 1997 não impunha restrição a reprises — argumento que o executivo contesta, lembrando que o streaming nem existia naquele momento. Na ação, ele acusa ainda o canal de ter mantido e até ampliado a exploração comercial do programa depois das notificações e das cobranças extrajudiciais, conduta que, a seu ver, feriu a boa-fé objetiva e deveria elevar o valor da reparação.
A origem do programa
A ligação de Lewitinn com a atração é anterior à chegada de Márcia. À frente da produtora americana December First e como vice-presidente de talk shows internacionais da Universal Television, ele exportava para diversos países um modelo baseado em debates e confrontos, na linha de The Jerry Springer Show — programa alvo de críticas da imprensa americana por seu sensacionalismo.
Diante do desempenho do formato no exterior, Silvio Santos (1930–2024) o convidou a montar uma versão brasileira. Márcia, que então comandava uma agência de encontros, passou nos testes e assumiu a apresentação, sob direção de Lewitinn durante todo o período em que o programa esteve no ar.
A atração projetou o nome da apresentadora e rendeu audiência expressiva para a época, com picos de 29 pontos e vitórias frequentes sobre a Globo até 1998, quando saiu da grade. Márcia passaria depois pela Band.
O que ele pede
O retorno desse acervo décadas mais tarde é o que motivou o processo. Lewitinn diz ter descoberto por terceiros que episódios voltaram à TV aberta e apareceram no +SBT, o que considera irregular diante dos direitos que reivindica sobre o formato. Por isso, pede a retirada imediata do conteúdo da plataforma e que a emissora não volte a exibi-lo nem publique trechos em suas redes sociais.



