O contrato entre a Liberty Media, detentora dos direitos comerciais da Fórmula 1, e o Grupo Globo tem mais dois anos de vigência. Mas, como de costume às vésperas de renovações, voltam a circular rumores sobre uma possível migração da categoria para a concorrência — com a Band frequentemente citada como principal candidata.
A perda de espaço da F1 na TV aberta brasileira não é um fenômeno recente. Ela é impulsionada pela ausência de um piloto brasileiro competitivo no grid, e agravada por longos jejuns de resultados: o país não vence uma corrida desde Rubens Barrichello, em 2009, e não conquista um título de pilotos desde Ayrton Senna, em 1991.
O cenário é paradoxal. Mesmo com a Globo faturando cerca de R$ 500 milhões em cotas de patrocínio junto a cinco grandes empresas, a audiência da categoria não ultrapassa os 8 pontos na Grande São Paulo — índice que, em determinados confrontos, fica atrás até do “Domingo Legal”, do SBT.
Parte desse enfraquecimento reflete mudanças na própria cobertura. Até poucos anos atrás, a emissora exibia ao vivo os treinos classificatórios de sábado e mantinha um programa pré-corrida aos domingos, com entrevistas a pilotos e demais profissionais direto do grid de largada — um formato hoje praticamente abandonado.
Esse tipo de cobertura amplia e cerca a experiência do telespectador mais engajado com o esporte, aquele que acompanha a F1 antes da corrida e permanece até a transmissão do pódio. Se esses elementos deixaram de ser prioridade na TV aberta, cabe perguntar: por que a categoria continua lá? A resposta, no fim, é financeira — os R$ 500 milhões movimentados em patrocínio.
Em um cenário ideal, a migração definitiva da F1 para a TV fechada parece ser o caminho mais coerente. Independentemente da modalidade esportiva, o público especializado merece um produto entregue com a qualidade e o cuidado que sua paixão pelo esporte exige.



