A gestão da TV Gazeta, liderada pela superintendente geral Juliana Algañaraz, articula uma mudança estratégica em sua programação. O objetivo é recuperar a faixa das 6h às 13h, atualmente ocupada pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Em contrapartida, a emissora ofereceria à instituição toda a sua grade da madrugada.
Como a igreja já arrenda o horário das 20h às 2h, a mudança resultaria em um bloco contínuo de pregações evangélicas até as 8h. Para a Gazeta, a vantagem seria ter 12 horas de programação própria ininterrupta (das 8h às 20h), permitindo que o canal lute por posições mais competitivas no Ibope. Atualmente, a presença da IURD nas manhãs derruba a média da emissora para 0,03 pontos, deixando-a atrás de canais como Record News (0,10), TV Aparecida (0,15) e TV Cultura (0,22).
O Dilema Financeiro
Apesar da audiência residual, a parceria com a Universal é o pilar de sustentação da Fundação Cásper Líbero. O contrato, renovado periodicamente desde os anos 2000 e estimado em R$ 15 milhões anuais em 2023, representa cerca de 80% da receita total da casa. Para a Igreja, o negócio é estratégico, pois garante presença em 100% do estado de São Paulo via TV aberta e nas principais operadoras de TV paga.

Investimentos e Novas Apostas
Nos bastidores, a nova gestão trabalha para fortalecer o conteúdo. Recentemente, o jornalismo ganhou força com o lançamento do Gazeta News, que substituiu o veterano Você Bonita. No entretenimento, o tradicional Mulheres, agora sob comando de Gloria Vanique, passou a ser exibido das 15h30 às 17h45, registrando picos de até 0,5 ponto.
A emissora também reforçou seu quadro com a contratação de Joana Treptow para o Jornal da Gazeta e o investimento em correspondentes internacionais. Para os finais de semana, a expectativa gira em torno de Geraldo Luís, cotado para assumir um programa de auditório nas tardes de sábado, consolidando a nova fase do canal.


